Minha vida foi muito pautada em poesia - amooo poesia. Os grandes momentos de reflexão passaram por explicações que para mim foram assopradas pela leitura de alguns poemas que até hoje me marcam. Os dois me ajudaram a entender que precisamos amar e nos abrir apesar do medo da dor! Precisamos, em caso de sofrimento, "levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima" sem medo de voltar a cair. E é disso que é feita a vida familiar, social, amorosa... Se ficamos nos protegendo demais acabamos nos anestesiando e passando pela vida como se a vida nem nossa fosse. É importante sentir o doce e o amargo e mesmo assim continuar com apetite pela vida. Amar e querer perto quando quem nós amamos está longe, dói! No entanto, a indiferença dá a proteção do 'não sentir' que deixa o viver 'insosso'. Ainda que haja dor, melhor viver ,e sentir, e se expor. E as lembranças continuam vivas, nos acompanham sempre que sentimos saudades. Quando me lembro de quem está longe, de quem está em Porto Alegre, de quem está no Rio de Janeiro, de quem está em Angola, de quem está em Toronto, de quem está em Santiago, de quem está em Paris ou na Alemanha, a memória, as lembranças vividas com esses que amamos, nos aproxima! E as lembranças fazem a sensação voltar como se o que lembramos tivesse acontecido ontem! E já não estamos mais tão longe...
O verbo no infinito (de Vinicius de Moraes)
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...
*****
Uma alegria para sempre
"As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides... Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura...
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer." Mário Quintana
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